
O Mirante do Gavião Amazon Lodge tem arquitetura integrada à natureza e remete a um barco invertido.
O hotel Mirante do Gavião Amazon Lodge está localizado em Novo Airão – última cidade acessível por via terrestre, a 180 km na direção noroeste de Manaus, no estado do Amazonas. Construído de frente para o Parque Nacional de Anavilhanas, segundo maior arquipélago fluvial do mundo, com mais de 400 ilhas, o hotel design se destaca por sua imponência, baseada nas técnicas amazônicas de construção naval. O visual panorâmico do Rio Negro, com suas águas escuras e vegetação densa, marca o cenário onde o turismo tradicional fica para trás e as regiões remotas e preservadas da Amazônia são reveladas aos hóspedes.
Apesar de toda essa amplitude, muito do que se experimenta nas vastas planícies amazônicas é a observação da natureza a partir do solo ou do rio. O gavião-real, maior ave de rapina do Brasil e uma das maiores do mundo, também habita por aqui, e foi pensando em promover às pessoas o mesmo privilégio do avistamento que as aves possuem da floresta e dos rios que surgiu a ideia de oferecer outros ângulos de observação. A ideia de proporcionar mirantes nos pontos mais altos do hotel, com mais de 15 metros de altura, foi a de propiciar o visual de um dos mais belos cenários do pôr do sol no Rio Negro e das ilhas do Arquipélago de Anavilhanas levou ao nome Mirante do Gavião.
Inicialmente, o lodge foi concebido para atender ao embarque e desembarque das operações dos barcos da Expedição Katerre Ecoturismo, baseada em Novo Airão desde 2004. Com poucas acomodações, o Mirante do Gavião Amazon Lodge passou de ponto de apoio a protagonista, quando seu projeto arquitetônico, de autoria do escritório de arquitetura Atelier O´Reilly, recebeu diversas premiações em 2014, ano de sua abertura.
(Toda sua arquitetura foi idealizada, planejada, projetada e edificada para dialogar com o entorno). A autora do projeto arquitetônico é Patrícia O’Reilly, arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Belas Artes de São Paulo e pós-graduada em Paisagismo Ecológico pela Fundaciò VS. Barcelona. Patrícia é profissional certificada pelo renomado selo Healthy Building Certificate HBC PRO.
O PROJETO
O desenvolvimento do projeto partiu da necessidade de criar uma pousada integrada ao entorno com o objetivo de estabelecer uma interligação entre as navegações no Rio Negro pelos barcos que fazem as expedições e as chegadas e saídas em terra.
A obra empregou 60 pessoas da comunidade por 2 anos, treinadas pelo mestre local Aderson para a construção em madeira de reflorestamento, utilizando a ancestral tecnologia de construção de barcos da região. O projeto foi baseado em um planejamento sustentável que prevê o aproveitamento do clima, dos materiais e das tecnologias construtivas locais. A comunidade ribeirinha sempre construiu barcos em madeira, um conhecimento passado de pai para filho. O desenho primou pela harmônica integração com a paisagem e diversos estudos climáticos foram desenvolvidos para atingir o melhor resultado energético com estratégias passivas e ativas, buscando conforto térmico, renovação de ar com ventilação cruzada, iluminação natural e acessibilidade. A área da implantação foi revitalizada com espécies nativas, favorecendo o bioma local. Além disso, estratégias ativas como captação e utilização de águas pluviais, horta orgânica, energia solar e água quente também foram aplicadas. Aproveitando a arquitetura vernacular, a proposta envolve palafitas conectadas por decks, deixando prevalecer uma ventilação inferior que reduz a temperatura interna. Assim, o Mirante do Gavião Amazon Lodge possui uma estrutura que repousa sobre o terreno, mas claramente não tem impacto sobre ele, integrando arquitetura, paisagem e sociedade de forma harmônica.
SUSTENTABILIDADE
Entre as estratégias sustentáveis ativas e passivas aplicadas ao projeto estão estudos climáticos de insolação, ventilação e análises de índices pluviométricos e umidade relativa do ar, energia solar e água quente, madeira de reflorestamento, horta orgânica, compostagem, tratamento de efluentes, treinamento de mão de obra, inclusão social, materiais naturais e utilização de águas pluviais.

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